O Cacique de Ramos concede título de Baluartes a três integrantes da Diretoria de Ouro e reafirma a importância da longevidade no samba.
Título de Baluartes para guardiões da história
O Cacique de Ramos anunciou, no domingo, 30 de novembro de 2025, o título de Baluartes para três integrantes da sua Diretoria de Ouro: Walter Pereira (81 anos), Sidney Machado, o Chopp (84) e Teteu José (77). A homenagem destaca trajetórias que se confundem com a própria história do bloco.
Reconhecidos internamente como os 70+, eles participaram de um ensaio fotográfico assinado por Márcio Lopes, antes da apresentação no palco do Doce Refúgio. Sob aplausos, agradeceram em nome do saudoso líder Bira Presidente, agora Presidente de Honra, e da atual dirigente Karla Marcely.
Roda de samba, cerimônia e continuidade do projeto
A solenidade ocorreu durante a Roda de Samba em que o grupo Força da Cor foi anfitrião. A abertura ficou a cargo de Nayra Cezari, diretora de Comunicação, seguida do vice-presidente Márcio Nascimento.
Além das homenagens individuais, o Cacique anunciou a continuidade do projeto: em 2026, será homenageado Fernando José, ao completar setenta anos. A lógica é reconhecer quem atravessou décadas de presença ativa e pertencimento ao corpo diretivo.
Walter Pereira: lealdade e memória desde 1964
Walter da Silva Pereira está no Cacique desde 1964 e foi pessoa de máxima confiança de Bira Presidente. Conhecido como Sr. Waltinho, ocupou diferentes funções, incluindo a vice-presidência, e segue na Diretoria de Ouro como referência de compromisso e lealdade.
Carioca, criado em Olaria, é considerado um dos caciqueanos mais devotados à história do bloco. Pai do historiador Walter Pereira Júnior, também membro da Diretoria de Ouro e coordenador do Centro de Memória do Cacique, ajuda a preservar a trajetória da agremiação.
Chopp: amizade com Bira e legado carnavalesco
Sidney Machado, o Chopp, é amigo de Bira Presidente desde a juventude e acompanhou a formação do Cacique. Integra a Diretoria de Ouro há onze anos, e sua proximidade com Bira é vista como exemplo para as novas gerações.
Nascido e criado em Ramos, com forte ligação com o Cacique em Olaria, Chopp acumula experiência como diretor de Carnaval e de harmonia, com passagens por diversas agremiações. Suas conquistas ajudaram a construir um legado respeitado no mundo do samba.
Teteu José: ponte entre mídia, Carnaval e bloco
Alceu José da Silva, o Teteu José, tem trajetória que se confunde com o Carnaval e a vivência sambista. A relação com o Cacique começou como amigo de Bira, em meados dos anos 1970, ajudando a dar visibilidade ao bloco como produtor de televisão na Rede Globo.
Desde 2018, atua na diretoria, agregando saber prático e experiência. Natural de Aré, Itaperuna, é considerado um símbolo da folia e amigo de todos, pela capacidade de articular bastidores e palco.
Longevidade como fundamento do samba
A consagração de Baluartes reafirma uma prática ancestral do samba: a voz dos mais velhos orienta caminhos, sustenta vínculos e define referências. Em tempos de novos significados para a longevidade, a presença ativa de guardiões de memória se torna privilégio coletivo.
A iniciativa começou em novembro de 2024, com o reconhecimento de Dona Wilma dos Santos Nunes, de 88 anos, coroada como Avó do Samba do Cacique de Ramos. Sua trajetória por diversas Velhas Guardas consolidou a ideia de herança que agora se amplia com os novos Baluartes.
