Abertura da FliRui reúne Maria Bethânia e Margareth Menezes em evento literário com homenagem, doação de acervos e poesia.
Casa cheia para celebrar a literatura
A Fundação Casa de Rui Barbosa, ligada ao Ministério da Cultura, recebeu público lotado nesta sexta-feira (28) para a abertura da primeira edição da FliRui. O evento segue até domingo (30), com mais de 40 atividades gratuitas, promovendo acesso à leitura e cultura.
Momentos marcantes marcaram o início do festival, como a leitura de Maria Bethânia em homenagem à poeta Neide Archanjo. Além disso, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve presente na cerimônia inédita de doação de acervos indígenas ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da FCRB.
Poesia, história e diversidade
O evento começou com performance do ator e pesquisador Rodrigo de Odé, usando o berimbau para mostrar que poesia, corpo e música caminham juntos. Em seguida, a escritora angolana Ana Paula Tavares abriu conferência com o tema “Angola, cinquenta anos e a poesia”, fortalecendo o caráter internacional da FliRui.
Um dos momentos mais esperados foi a presença de Maria Bethânia, emocionando o público ao recitar poemas de Neide Archanjo, com destaque para textos de “Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo” e “Marinhas – Canto II: Litorais”. Dessa forma, a artista reforçou a relevância da obra lírica e intensa da poeta.
Bethânia destacou o vínculo com Neide: “Eu estou muito feliz de estar aqui, porque a Neide foi uma grande amiga. Pude, com ela ainda viva, gravar alguns de seus poemas. Então, escolhi o que traz um retrato de nós, de nossa convivência e da espetacular poesia da Neidinha”, afirmou.
Doação de acervos indígenas fortalece memória
Em cerimônia inédita, a Fundação Casa de Rui Barbosa incorporou documentos, objetos e materiais de autores indígenas ao seu acervo. Os nomes de Daniel Munduruku, Márcia Kambeba e Eliane Potiguara agora integram oficialmente o patrimônio literário brasileiro.
A ministra Margareth Menezes ressaltou: “Trazer luz à colaboração da literatura afro-brasileira e dos povos originários é uma forma de ampliar o senso crítico de todo brasileiro. Isso fortalece o conhecimento sobre a nossa própria história! A cultura quem cria é o povo, e o papel do Estado é fazer políticas que fortaleçam essas diversas manifestações culturais. É o que o Ministério da Cultura vem fazendo desde o momento em que nós retomamos as políticas culturais no Brasil. Essa é uma visão do próprio presidente Lula: que o povo tenha acesso à leitura e que a democratização da cultura seja uma realidade para todas as pessoas!”
Programação diversificada e acesso livre
O primeiro dia da FliRui trouxe oficinas ao ar livre, roda de conversa com Ondjaki sobre literatura angolana e teatro infantil. Em seguida, houve lançamento de livro e oficinas de ilustração e jogos poéticos no jardim. O evento é gratuito, com acesso por ordem de chegada, sujeito à lotação para preservar o patrimônio histórico.
A FliRui é realizada pela Fundação Casa de Rui Barbosa, com apoio da Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) e da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade.

