Alex Ferraz

Projeto verão: riscos e benefícios das dietas da moda

Especialistas explicam riscos e benefícios das dietas da moda e alertam para a importância de equilíbrio e acompanhamento profissional.

Busca por resultados rápidos exige cautela

Com a aproximação do verão, aumentam as buscas por dietas rápidas e planos alimentares sem orientação adequada. O apelo estético ainda guia muitas decisões, porém especialistas alertam que a pressa pode comprometer a saúde de forma séria.

A nutricionista Marina Gorga, fundadora do Studio Gorga Bem-Estar, destaca a importância da individualidade. Segundo ela, o que funciona para uma pessoa pode agravar o quadro de outra, especialmente em estratégias muito restritivas.

A endocrinologista Dra. Karine Antunes, também da clínica, lembra que o emagrecimento saudável não depende apenas de calorias ingeridas. Ela ressalta o papel do equilíbrio hormonal, da qualidade do sono e do controle do estresse para resultados sustentáveis.

Impacto das restrições severas no organismo

De acordo com a médica, dietas muito restritivas favorecem perda de massa magra e efeito rebote. Dessa forma, o mais importante é encontrar um padrão alimentar que a pessoa consiga manter durante todo o ano, e não apenas em uma estação.

Em seguida, diferentes especialistas detalham os mecanismos das principais dietas em alta, seus possíveis benefícios e os riscos do uso sem acompanhamento. O objetivo é orientar escolhas mais conscientes e responsáveis.

Jejum intermitente: organização ou risco?

O jejum intermitente figura entre as estratégias mais comentadas nas redes sociais. Ele alterna períodos de alimentação com janelas de jejum que variam, em geral, entre 12 e 18 horas, podendo chegar a 24 horas em alguns protocolos.

A proposta principal é reduzir a ingestão calórica e melhorar a sensibilidade à insulina. Assim, quando bem conduzido, o método pode auxiliar na organização da rotina alimentar e na percepção mais clara de saciedade ao longo do dia.

Marina Gorga ressalta, porém, que fazer jejum sem supervisão pode causar fraqueza, irritabilidade e episódios de compulsão alimentar. Além disso, o método não é indicado para pessoas com histórico de transtornos alimentares, exigindo adaptação cuidadosa à rotina individual.

Dieta mediterrânea: equilíbrio e longevidade

A dieta mediterrânea é considerada uma das mais equilibradas do mundo por priorizar frutas, legumes, azeite, grãos integrais, peixes e oleaginosas. O consumo de carnes e laticínios aparece de forma moderada nesse padrão alimentar.

A nutricionista funcional Ludmila Toledo, especialista em menopausa e geriatria, destaca que essa é uma das poucas estratégias com respaldo robusto da ciência. Ela mostra benefícios tanto para emagrecimento quanto para longevidade e prevenção de doenças crônicas.

Segundo a especialista, o modelo reduz inflamações crônicas, melhora o perfil lipídico e favorece a saúde intestinal. Além disso, apresenta boa adesão a longo prazo, pois não exclui grupos alimentares inteiros e mantém variedade de preparações.

Low carb e cetogênica: efeito rápido e limites

As dietas Low Carb e Cetogênica reduzem a ingestão de carboidratos em diferentes intensidades. Na versão Low Carb, há diminuição importante do consumo de pães, massas e açúcares, com prioridade para proteínas e gorduras consideradas saudáveis.

Na dieta cetogênica, o corte de carboidratos é ainda mais radical, com aumento significativo da ingestão de gorduras. Dessa maneira, o organismo muda a principal fonte de energia, passando a usar corpos cetônicos em vez de glicose.

A especialista em saúde intestinal e emagrecimento Letícia Canelada lembra que essas dietas podem gerar perda de peso rápida. No entanto, quando o corpo perde muita glicose disponível, cérebro e músculos podem sofrer com falta de energia adequada.

A Dra. Karine Antunes reforça que a dieta cetogênica pode ter uso terapêutico em situações específicas. Entretanto, a falta de acompanhamento pode provocar queda de cabelo, constipação intestinal, fadiga intensa e outros desconfortos metabólicos.

Plant-based e DASH: foco em prevenção

As dietas baseadas em vegetais, como a Plant-Based, privilegiam alimentos de origem vegetal, incluindo leguminosas, cereais integrais, frutas e verduras frescas. Essa abordagem reduz o consumo de produtos ultraprocessados e de origem animal.

A nutricionista funcional Camilla Koyama explica que esse padrão tem grande impacto na redução de inflamações e na melhora da microbiota intestinal. Além disso, contribui para a prevenção de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e metabólicos.

Já a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é uma das mais indicadas para saúde cardiovascular. Esse modelo incentiva a redução de sódio adicionado no preparo dos alimentos e o aumento do consumo de frutas, vegetais e laticínios com baixo teor de gordura.

Camilla Koyama destaca que a DASH é ideal para quem deseja melhorar a alimentação sem adotar restrições extremas. Dessa forma, a dieta favorece adesão contínua e pode ser incorporada à rotina familiar com maior facilidade.

Dietas detox e hiperproteicas em alta

As chamadas dietas detox costumam ganhar espaço antes do verão, com promessas de “limpar o corpo” por meio de líquidos e sopas. Essas estratégias, porém, muitas vezes excluem grupos alimentares importantes por vários dias.

Para Letícia Canelada, o problema é que o organismo já conta com fígado e rins para exercer a função de desintoxicação. Assim, viver apenas de sucos ou preparações líquidas pode causar deficiências nutricionais e acelerar a perda de massa magra.

Na direção oposta, as dietas hiperproteicas ganham adeptos entre quem busca ganho de massa muscular. Elas elevam o consumo de proteínas, às vezes em detrimento de carboidratos e gorduras na proporção recomendada para o perfil individual.

Camilla Koyama ressalta que a proteína é essencial, mas o ideal é equilibrar os macronutrientes. Portanto, a distribuição entre proteína, gordura e carboidrato deve considerar objetivos, histórico de saúde e rotina de cada pessoa.

Do projeto verão ao projeto saúde

As especialistas reforçam que o sucesso de qualquer plano alimentar depende de consistência e autoconhecimento. Consumir menos do que se gasta parece simples, porém o emagrecimento envolve metabolismo, hormônios, rotina, sono e comportamento.

Para Marina Gorga, o chamado “projeto verão” precisa dar lugar a um projeto de saúde mais amplo. Cuidar do corpo é importante, mas ele deve ser funcional o ano inteiro, e não apenas para uma temporada específica.

A nutricionista lembra que o objetivo não é apenas caber em um biquíni, e sim se sentir bem na própria rotina. Dessa maneira, um corpo saudável ao longo do ano permite pequenos ajustes no fim do período, garantindo resultados desejados sem prejuízos à saúde e com mais autoestima.

Sobre a nutricionista Marina Gorga

Marina Gorga é nutricionista (CRN3 37985) e fundadora do Studio Gorga Bem Estar, em São Paulo. Ela também criou o Nutricionário – Ecossistema para Nutricionistas, além de atuar como professora e fundadora do Nutricionário.Lab – Formação Completa para Nutricionistas.

Seu trabalho tem foco em saúde intestinal, doenças autoimunes, doenças inflamatórias, neurodiversidades, performance cognitiva e longevidade. Além disso, baseia-se em evidências científicas e em uma abordagem personalizada para cada paciente atendido.

Sobre o Studio Gorga Bem Estar

O Studio Gorga Bem Estar é uma clínica multidisciplinar localizada em São Paulo (SP). A coordenação é da nutricionista Marina Gorga (CRN3 37985) e da médica ginecologista e obstetra Gabriela Gava (CRM/SP 184390 | RQE 114885).

A clínica reúne uma equipe de 16 profissionais em áreas como nutrição funcional, ginecologia, obstetrícia, endocrinologia, nutrologia, ortopedia, cirurgia plástica, vascular e medicina do esporte. Por fim, o diferencial está no atendimento personalizado, ético e baseado em evidências, com prioridade para saúde e bem-estar.

Projeto verão: riscos e benefícios das dietas da moda
Foto: Divulgação
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