Relatório da McKinsey revela potencial bilionário da beleza equitativa e reforça impacto do Novembro Negro na estética decolonial.
Segundo o relatório “Representatividade negra na indústria da beleza”, da McKinsey Quarterly, cerca de US$ 2 bilhões em receitas deixam de ser aproveitadas por falta de investimento consistente em produtos e procedimentos voltados à pele negra. A ausência de soluções adequadas tem afastado consumidoras que buscam cuidados alinhados à sua identidade.
Mudança de comportamento e demanda crescente
O tema ganha ainda mais visibilidade durante o Novembro Negro, mês marcado pelo debate sobre equidade racial e representatividade. De acordo com relatório da Mintel, 46% das mulheres negras afirmam estar cansadas de padrões estéticos impostos, o que revela uma transformação no comportamento de consumo, cada vez mais orientado pela autenticidade.
No mercado global, estimativas da Market.Us e InsightAce Analytic projetam que o segmento de beleza negra alcance entre US$ 31 e US$ 34 bilhões até 2034, com taxa de crescimento anual entre 8% e 14%. No Brasil, essa tendência se traduz na busca por tratamentos que valorizem textura, cor e identidade da pele.
Cuidados personalizados e valorização da identidade
Especialista em pele negra há 10 anos, a biomédica esteta Jéssica Magalhães afirma que a procura por protocolos personalizados aumentou de forma expressiva. Para ela, o mercado vive um momento decisivo: “Há uma oportunidade enorme para transformar procedimentos em experiências de valorização e empoderamento”, destaca.
A profissional reforça que considerar tonalidade, textura, densidade de colágeno e reações aos ativos é fundamental para garantir resultados naturais e seguros. “O olhar individualizado evita pigmentações indesejadas e efeitos artificiais, respeitando as necessidades de cada pele”, explica.
Novembro Negro como motor de transformação
Para Jéssica, o Novembro Negro atua como acelerador de mudanças na estética, incentivando clínicas e profissionais a revisarem protocolos e adotarem abordagens mais inclusivas. No consultório, ela acompanha nomes como Tarsila Alvarindo, Val Benvindo e Najara (NBlack), reforçando o protagonismo da beleza preta.
Além dos procedimentos, a especialista destaca o papel dos cuidados diários: hidratação adequada, uso de protetor solar e atenção aos ácidos e ativos. “Valorizar a própria pele é celebrar ancestralidade e fortalecer identidade”, conclui.
