Alex Ferraz

Possível correção no setor de IA deve ser gradual, avalia André Meirelles, da InvestSmart XP

Para André Meirelles, uma correção no preço das ações de empresas de IA é possível, mas não deve ocorrer como uma bolha generalizada.

As projeções sobre uma possível correção no preço das ações de companhias ligadas à inteligência artificial têm movimentado o mercado. Segundo André Meirelles, Diretor de Alocação, Distribuição & Atendimento Estratégico da InvestSmart XP, apesar da preocupação crescente, não há consenso de que o setor esteja prestes a enfrentar um estouro de bolha de forma rápida ou disseminada.

Ciclo de juros e valuations bilionários ampliam o debate

A sinalização recente do presidente do FED, Jerome Powell, sobre a possibilidade de interrupção no ciclo de queda de juros nos Estados Unidos reacendeu dúvidas no mercado. O movimento ocorre após um período de liquidez que favoreceu valuations recordes, como o caso da NVIDIA, que atingiu US$ 5 trilhões em valor de mercado.

Meirelles destaca que, embora o setor opere com números expressivos, as empresas também têm realizado investimentos agressivos, financiados, em muitos casos, por aumento de endividamento. A dúvida sobre o retorno dessas apostas segue como um dos principais fatores de atenção.

Transição de modelo pesa nos balanços

O executivo observa que, à medida que empresas antes classificadas como de software ou serviços digitais passam a investir em infraestrutura pesada — como data centers — seus balanços se aproximam do perfil de empresas industriais. Essa mudança pode pressionar múltiplos e provocar ajustes de preço.

“Pode ser que ocorra uma correção em função dessa transição de modelo, de asset light para heavy asset. Mas isso não significa necessariamente um estouro de bolha”, afirma.

Conjuntura geopolítica e avanço chinês aumentam a competitividade

Meirelles também destaca o impacto da competição chinesa no desenvolvimento global da inteligência artificial. Com energia mais barata, maior capacidade de processamento e retenção de talentos tecnológicos, a China tem ampliado sua liderança: hoje, domina 57 das 64 tecnologias consideradas críticas.

Casos recentes, como o impacto da DeepSeek nos preços de ações americanas, reforçam que a disputa entre Estados Unidos e China deve influenciar o desempenho das empresas do setor nos próximos anos.

Racionalidade, diversificação e visão de longo prazo

Apesar da volatilidade, o histórico de empresas que sobreviveram a crises anteriores, como o subprime, mostra que o setor possui resiliência. Para Meirelles, o momento exige racionalidade e diversificação, evitando apostas concentradas.

“Imaginar uma bolha generalizada estourando no setor, com continuidade no ciclo de cortes de juros, é pouco provável. O importante é aproveitar o movimento, mas ficar perto da porta”, diz.

A orientação, segundo ele, é manter carteiras diversificadas, inclusive dentro do próprio setor de tecnologia e IA. “Nem todos os modelos sobreviverão ou serão vencedores. Um potencial fim da farra da liquidez identifica quem nada pelado”, conclui, citando Warren Buffet.

Possível correção no setor de IA deve ser gradual, avalia André Meirelles, da InvestSmart XP
Foto: Divulgação
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