
Atores do Coletivo Preto e do Negra Palavra, que acabam de ganhar o Prêmio APTR, transformam o cotidiano em cenas de humor
Como o restante do mundo, o torneio de pelada de Olaria parou em 2020. Os meses vão passando e, assim como a tradição do bairro e a diversão dos vizinhos, o prêmio que caberia ao grande campeão, uma leitoa, fica pra escanteio. O bichinho vai crescendo, vira uma grande porca e desaparece. Para resolver o problema, os vizinhos só têm uma solução: reunião online. E é desse jeito que começa a ser contada a história do novo espetáculo do Coletivo Preto em parceria com o Coletivo Negra Palavra, “Pelada”. A comédia tem temporada patrocinada pelo Sesc com ingressos gratuitos (retirada pelo www.sympla.com.br/pelada), de 03 de a 26 de setembro na plataforma ZOOM, às sextas, sábados e domingos, às 20h.
O espetáculo de humor traz para a cena a efervescência das narrativas do subúrbio carioca, ainda pouco valorizadas no teatro, segundo o diretor e idealizador Orlando Caldeira. “Nós abordamos o tempero do cotidiano. Os personagens trazem questões comuns a quase todos nós e que são muito risíveis. E é engraçado justamente porque é uma identificação. O nosso dia a dia é especial e digno de se tornar uma obra de arte”, diz Orlando, que também atua em “Pelada”.
A comunicação popular do espetáculo mistura linguagens de cinema, novela, teatro e o novo teatro digital. Para chegar à versão final do texto foi feita uma mesa de roteiro com os autores Eudes Veloso, Orlando Caldeira e Patrick Sonata. “A certeza que tínhamos desde o início era que precisava ser comédia. Entendemos que este momento é hora de cuidar um pouco do público, trazer riso e diversão para esses tempos que não estão fáceis”, diz.
No elenco, apenas atrizes e atores negros: Adriano Torres, Breno Ferreira, Carol Falcão, Drayson Menezzes , Eudes Veloso, Isa Freitas, Jorge Oliveira, Lucas Sampaio, Orlando Caldeira, Patrick Sonata, Rodrigo Átila e Thiago Hypolito. A formação desse time é uma parceria do Coletivo Preto com o Coletivo Negra Palavra, formado durante as apresentações do espetáculo homônimo, que teve três temporadas em teatros e participou de festivais Brasil afora em 2019 e, mais recentemente, foi adaptado para o ambiente digital.
“Ficamos mais de seis meses em temporadas online, com uma linguagem totalmente inédita, diferente daquela que apresentamos nos palcos. Foi uma adaptação bem meticulosa, que nos permitiu levar a poesia de Solano Trindade a muito mais pessoas: tinha gente que nos assistia de fora do país. Fizemos uma turnê para cinco países africanos. Isso sem a Internet seria inimaginável”, conta Orlando. O trabalho rendeu ao elenco o Prêmio Jovem Talento (Troféu Manoela Pinto Guimarães) no Prêmio APTR de Teatro de 2021, anunciado semana passada, em 19 de agosto. Recebeu indicação ainda como espetáculo adaptado ao vivo. O espetáculo tem também participação especial do ator Luís Miranda.
A história de “Pelada” é recheada de personagens controversos: uma dona de um salão de cabeleireiro casada com o juiz da partida; o famoso trambiqueiro do bairro; o pipeiro, que detesta jogar futebol, mas não perde a diversão. Um policial vegano; um candidato político gaúcho que finge ser carioca. Um casal gay que enfrenta uma grande rivalidade no campo e na vida social: um é uber, o outro taxista. “Mesmo brincando com as caricaturas, fazemos com muito respeito e orgulho, a maioria de nós é do subúrbio. Queremos enaltercer esse lugar, as pessoas maravilhosas e as tradições”, completa um dos autores, Eudes Veloso, que também atua na peça.
Com a experiência de quem já compreendeu a nova linguagem digital do teatro, o espetáculo tem 40 minutos de exibição e será transmitido pelo Zoom. Os ingressos devem ser retirados no Sympla.
Pelada
De 03 a 26 de setembro de 2021
Sextas, sábados e domingos, às 20h
Ingressos gratuitos
40 minutos de duração
Comédia, 14 anos
Ingressos gratuitos: www.sympla.com.br/pelada